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Saúde mental dos jovens: uma preocupação relevante na pandemia

De forma geral, crianças e jovens não são uma fonte de preocupação muito grande no contexto da pandemia. Com percentual de 1% a 5% do número total de casos, podemos ter a sensação de que os mais novos estão "a salvo".

 

Porém, devemos destacar que essa é uma presunção equivocada, visto que os jovens também correm riscos com o contágio e, mais que isso, também estão expostos ao grande desafio que o distanciamento físico impõe a todos.

 

O "novo normal" não é fácil para eles: confinamento, pais estressados, sedentarismo, distância dos amigos, clima ruim em casa devido às dificuldades financeiras são apenas alguns dos problemas enfrentados.

 

Saindo do contexto geral para a situação específica das crianças e jovens, o cenário fica ainda mais complexo. Além do ensino a distância e dos novos métodos de avaliação que, por si só, já causam estresse, temos também a constante exposição a notícias e conversas acerca da gravidade da pandemia, que pode gerar um quadro de preocupação e ansiedade exacerbada.

 

Com todo esse cenário desfavorável, é importante saber distinguir o nível de estresse que as crianças e jovens estão sentindo. Esse estresse pode variar de leve, que é natural e até saudável, ao estresse tóxico, que exige um olhar mais atento e, até possivelmente, ajuda de um especialista.

 

O estresse leve é identificado em mudanças sutis e passageiras no comportamento relacionadas à pandemia, como impaciência, medo e alterações no sono e no apetite. O estresse tóxico pode ser identificado na forma de sensação de ameaça amplificada e certeza de que ocorrerá, ou na forma de sensação de impotência ante a situação atual. Se não for abordado, esse quadro poderá levar até mesmo ao desenvolvimento de transtornos mentais.

 

A distinção técnica pode até ser clara, mas a identificação do problema no dia a dia não é fácil, por isso os pais têm um papel preponderante na prevenção de problemas mais sérios. Reconhecer e incentivar crianças e jovens a lidar com o momento é o primeiro passo, pois, além de ajudá-los, é também um gesto que aproxima a relação nesse momento tão crítico.

 

Com a persistência e o agravamento dos sintomas, o ideal é procurar ajuda de um(a) especialista, que estará apto(a) a fazer uma avaliação da situação e indicar as melhores opções terapêuticas.

 

Quer saber mais sobre o assunto? Consulte nosso Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia no Brasil. Confira aqui!

 

Nunca é demais lembrar, principalmente em época de pandemia: se tem sintomas de transtornos mentais, procure um médico: se cuide e dos pequenos também!


Referências bibliográficas

 

1.  Ludvigsson JF. Systematic review of COVID-19 in children shows milder cases and a better prognosis than adults. Acta Paediatr. 2020 Mar 23;109(6):1088-95.

 

2.  Polanczyk GV. O custo da pandemia sobre a sau´de mental de crianc¸as e adolescentes. 2020 Maio 11 - [citado 2020 Ago 30]. In: Jornal da USP [Internet]. Sa~o Paulo: USP. Disponi´vel em: https://jornal.usp.br/artigos/o-custo- -da-pandemia-sobre-a-saude-mental-de-criancas-e-adolescentes/. Acesso em: 2 de junho 2021.

 

 

3.  Xie X, Xue Q, Zhou Y, Zhu K , Liu Q , Zhang J, et al. Mental health status among children in home confinement during the coronavirus disease 2019 outbreak in Hubei Province, China. JAMA Pediatr. 2020 Apr 24;174(9):898- 900.

 

PP-ZOL-BRA-0130 - Maio/2021