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Nem tristeza, nem fraqueza. É depressão

A depressão é considerada uma doença de causa multifatorial. Além dos fatores genéticos e neuroquímicos, esse transtorno mental pode ser reflexo de problemas ambientais, traumas, luto, adaptações no desenvolvimento e até variações hormonais.1-2

 

Depressão não tem preferência. Qualquer pessoa, independentemente de renda, educação, raça, gênero, sucesso ou beleza pode ficar deprimida. 

 

Embora muitas pessoas associem o sentimento de tristeza ao diagnóstico de depressão, a grande diferença é que essa doença atrapalha o cotidiano do indivíduo, que costuma se queixar de falta de disposição para sair, estudar, trabalhar, conversar com os amigos e assim por diante.

 

Nos adolescentes, alguns sintomas são bem característicos, como irritabilidade, agressividade, baixa autoestima, sentimento de inutilidade e pensamentos negativos3. "Esses sinais podem ser um gatilho para o suicídio. Precisamos ficar atentos com os jovens, que ficam muito tempo no quarto, usando celular ou notebook, fechados no mundo virtual. É a chamada geração do quarto, que se isola pela dor, pelo sofrimento", alerta a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do Conselho Científico da ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos).

 

Confira abaixo outros sintomas que podem acender o sinal vermelho para a depressão:

 

1 - Ansiedade e angústia;

2 - Desânimo, cansaço fácil e necessidade de maior esforço para fazer as coisas;

3- Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;

4 - Desinteresse, falta de motivação e apatia;

5 - Falta de vontade e indecisão;

6 - Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;

7 - Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, sensação de falta de sentido na vida e fracasso. A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou até tentar suicídio;

8 - Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom "cinzento" para si, os outros e seu mundo;

9 - Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;

10 - Diminuição do desempenho sexual e da libido;

11 - Perda ou aumento do apetite e do peso corporal;

12 - Insônia, despertar matinal precoce ou, menos frequentemente, aumento do sono;

13 - Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos.

 

Como ajudar quem sofre de depressão

 

A depressão precisa ser tratada; entretanto, nem todas as pessoas que sofrem desse transtorno mental recebem tratamento adequado.

 

Diante desse cenário, o auxílio da família e dos amigos faz a diferença para o suporte. Além de apoiar, é fundamental lembrar que esse paciente precisa de respeito, compreensão e paciência.

 

Portanto, deixe de lado qualquer julgamento ou cobrança. Para tentar acolher essa pessoa, é preciso aprender a ouvi-la, incentivá-la a adotar um estilo de vida saudável e, claro, encorajá-la a buscar ajuda profissional. 

 

Em caso de suspeita de ideias, comportamentos e tentativas de suicídio e desesperança, os profissionais que fazem o acompanhamento da pessoa devem ser comunicados.

 

No Brasil, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos e mais de 1 milhão no mundo, principalmente entre os jovens. Quase 97% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais, sendo que em primeiro lugar está a depressão, seguida de transtorno bipolar e abuso de álcool e de drogas ilícitas4.

 

Referências:

 

1- Site ABRATA. Disponível em https://www.abrata.org.br/saude-mental/depressao-e-transtorno-bipolar/ Acesso em 29/07/2021

 

2- Biblioteca Virtual Ministério da Saúde. Disponível em https://bvsms.saude.gov.br/depressao-4/. Acesso em 29/07/2021

 

3- Site ABRATA. Disponível em https://www.abrata.org.br/depressao-e-adolescentes/. Acesso em 29/07/2021


4- Biblioteca Virtual Ministério da Saúde. Disponível em https://bvsms.saude.gov.br/10-9-dia-mundial-de-prevencao-do-suicidio/. Acesso em 29/07/2021


PP-PCU-BRA-0738 - agosto/2021