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Estou tomando medicação e ainda sinto dor. O que pode estar acontecendo?


Quando estamos doentes ou sofrendo com dores, muitas vezes procuramos ajuda médica e recebemos prescrições de medicamentos para aliviar os sintomas.

Entretanto, pode acontecer de, mesmo após tomar a medicação para dor, ela ainda persistir. Nesse caso, é importante entender o que pode estar acontecendo e como lidar com a situação.  Afinal, o que pode estar acontecendo?

A possibilidade da dor crônica

Um dos motivos mais comuns pelos quais a medicação não está aliviando a dor é porque ela pode estar causando efeitos colaterais. 1 Muitas pessoas com dores crônicas experimentam sensações que não podem ser explicadas por conta de lesão física ou mal funcionamento do corpo, sendo associado por fatores que podem ser sociais, comportamentais ou psicológicos. ¹

Se o seu corpo não estiver respondendo à medicação conforme ao que foi prescrito, é importante conversar com o seu médico para ajustar a dose ou trocar o medicamento. Além disso, é importante seguir as instruções do seu médico para averiguar a possibilidade de estar sofrendo com dores crônicas. 

A dor crônica é uma doença que dificulta consideravelmente a autonomia de qualquer pessoa no desempenho de suas funções diárias, afetando sua qualidade de vida.2

A possibilidade da dor crônica

A patologia afeta cerca de 100 milhões de indivíduos e, aproximadamente, 14% dos casos de dor crônica estão relacionados às articulações e ao sistema musculoesquelético2. A dor crônica, como doença e não sintoma, pode ter consequências na qualidade de vida, como: 2

  • Depressão;
  • Incapacidade física e funcional;
  • Dependência;
  • Afastamento social;
  • Mudanças na sexualidade;
  • Alterações na dinâmica familiar;
  • Desequilíbrio econômico;
  • Desesperança.

Efeitos colaterais da dor crônica

A dor crônica não é um problema passageiro. Ela pode se tornar o centro da vida de qualquer pessoa, direcionando e limitando as suas decisões e comportamentos2. A impossibilidade de controlá-la traz sempre sofrimento físico e psíquico, além disso, pode causar outros sintomas, como2:

  • Fadiga;
  • Anorexia;
  • Alterações do sono;
  • Constipação;
  • Náuseas;
  • Dificuldade de concentração. 

Uso de remédios para dor sem prescrição médica

A fim de encontrar uma solução imediata, muitas pessoas acabam se automedicando, para aliviar os sintomas causados por essas dores3. Entretanto, é preciso seguir as prescrições médicas, para não correr o risco de tomar uma dose maior do que a necessária.

O uso excessivo de analgésicos pode apresentar efeitos adversos. Entre os mais leves estão sintomas como boca seca, sonolência, prisão de ventre, tontura, alergia, dor de estômago. Já os sintomas mais graves podem ocorrer uma úlcera perfurada ou hemorragia, até morte3.

Além destes efeitos adversos, a automedicação sem prescrição pode fazer com que os sintomas de dores comecem a ter resistência ao automedicamento, necessitando aumentar as doses para obter os mesmos efeitos ou a redução dos efeitos desejados em quem recebe a mesma dose3. 

A avaliação das dores

A investigação das dores crônicas deve ser feita junto com o seu médico. Existem alguns efeitos colaterais causados por alguns medicamentos que já são esperados4. 

Por isso, é preciso entender as características das dores, como a intensidade, o tempo e o diagnóstico anterior4. Alguns métodos envolvem a escala de dor, que auxiliam no diagnóstico mais preciso.

Tolerância ao medicamento prescrito

Outra explicação possível é a tolerância ao medicamento que foi prescrito. Se você está tomando a mesma medicação por um longo período, o corpo pode se acostumar com o efeito e, como consequência, ter a sua eficácia reduzida. Nesse caso, é importante conversar com o médico para avaliar se é necessário ajustar a dosagem ou mudar para outro medicamento.¹

Motivos além da medicação

É preciso lembrar que algumas dores são causadas por outros fatores que vão além do tratamento já prescrito. Dores nas costas, por exemplo, podem ser o resultado de uma lesão muscular, assim como pode ser sinal de outras condições médicas, como hérnia de disco ou osteoporose. ¹

Se a medicação não estiver aliviando a dor, é importante conversar com o seu médico para avaliar se são necessários exames adicionais ou outros tipos de tratamento.

Formas de reduzir as dores crônicas

Conviver com as dores crônicas é um grande desafio, ainda mais quando ela começa a afetar as atividades cotidianas. Uma das principais ferramentas para aliviar as dores crônicas são as atividades físicas.5 

A atividade física ajuda a diminuir a gordura corporal e a reduzir os marcadores sistêmicos de inflamação, diminuindo assim as dores crônicas.5

Acompanhando os sintomas

Por fim, se você está tomando medicação para aliviar a dor e ainda sente desconforto, é importante conversar com o seu médico para avaliar se os efeitos colaterais estão afetando sua resposta ao tratamento, se você desenvolveu tolerância ao medicamento ou se há uma causa subjacente para a dor.

Conversar com seu médico é essencial para encontrar a melhor solução para a sua situação e garantir que você receba o tratamento adequado para aliviar a dor.

Você também pode se manter informado, acompanhando o conteúdo do Blog da Saúde sobre dores crônicas, assim como pode se cadastrar no Programa Se Cuida e ter acesso a mais apoio para te ajudar na sua jornada de tratamento.


Material para todos os públicos.

LYR-2023-0642 - Maio/2023


Referências

1. KRAYCHETE, Durval Campos; SAKATA, Rioko Kimiko; TANAJURA, David; GUIMARÃES, Ana Cristina; ANGELIM, Mônica. Perfil Clínico de Pacientes com dor crônica do ambulatório de dor do Hospital Universitário Professor Edgard Santos - UFBA. Rev. baiana Saúde públ., Bahia, 2 jul. 2003. v.27, n.2, p. 185-195. Disponível em: https://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/download/1084/636. Acesso em: 7 maio 2023.

2. CUNHA, Lorena Lourenço; MAYRINK, Wildete Carvalho. Influência da dor crônica na qualidade de vida em idosos. Revista dor, [S. l.], p. 1-1, 28 maio 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/bxp9vNJv8LmCJGwssNC7xhF/?lang=pt. Acesso em: 5 maio 2023.

3. NASCIMENTO, Daiana Ciléa Honorato; SAKATA, Rioko Kimiko. Dependência de opioide em pacientes com dor crônica. Revista dor, [S. l.], p. 1-1, 28 set. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/vLYDQVjYkXdfjPpvTDvdZsk/?lang=pt. Acesso em: 5 maio 2023.

4. KURITA, Geana Paula; PIMENTA, Cibele Andrucioli de Mattos. Adesão ao tratamento da dor crônica: estudo de variáveis demográficas, terapêuticas e psicossociais. Arquivo de neuro-psiquiatria, [S. l.], p. 1-1, 28 jul. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/anp/a/RK4dcc3pw4FGJTtR7CgMqxf/?lang=pt. Acesso em: 5 maio 2023.

5. Souza DF da S de, Häfele V, Siqueira FV. Dor crônica e nível de atividade física em usuários das unidades básicas de saúde. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde [Internet]. 10º de dezembro de 2019 [citado 5º de maio de 2023];24:1-10. Disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/14014 

6. BUTLER, S. F. et al. Clinical characteristics of patients with chronic pain and acute opioid tolerance or opioid-induced hyperalgesia: a combined analysis of 5 randomized clinical trials. Pain, v. 159, n. 11, p. 2132-2140, 2018.