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A vida importa, sim. Que tal oferecer ajuda?

O melhor da vida está nos detalhes: o sabor favorito do sorvete, o cheiro do chá quentinho nos dias de frio, o lançamento de um filme e cantar uma música inesquecível. Estes são momentos preciosos para valorizar no dia a dia.

 

Porém, muitas vezes acabamos deixando passar esses detalhes e focamos apenas no que acontece de negativo, o que, possivelmente, se agravou com a pandemia. E o período de isolamento social, que começou em 2020, se mostrou propenso para que os casos de transtornos psíquicos como ansiedade e depressão aumentassem e, como consequência, os casos de suicídio também¹.

 

Diante disso, a pergunta que muitas pessoas se fazem é: "como posso perceber que alguém está pensando em tirar a própria vida?" E a resposta é que nem sempre é fácil identificar os sinais, mas manter-se próximo e escutar é a melhor forma de ajudar. "Indícios até podem surgir, mas nem sempre percebemos naquele momento que pode se tratar de um sinal. Frases que parecem ditas da boca para fora, como 'não quero mais viver' ou 'quero sumir' são situações que precisam de empatia e de cuidado em conjunto para que não evoluam para casos mais graves", explica a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do Conselho Científico da ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos).

Ainda segundo a psiquiatra, se alguém disser que não aguenta mais viver, o primeiro passo é estar aberto ao diálogo e conversar sobre o motivo de ela não estar mais aguentando. Depois, é essencial também estar disposto a ouvir. "Independentemente do que for dito, é importante continuar escutando, não fazer julgamentos e não criticar. Faça com que a pessoa sinta que ela não está sozinha e que pode contar com você", ressalta.

 

Outras atitudes que podem ajudar:

  • Encontrar um local calmo para falar sobre esse assunto com a pessoa;
  • Incentivar que procure tratamento com profissionais de saúde;
  • Se perceber que existe um risco imediato, não deixe a pessoa sozinha.

 

Além disso, sinais que precisam de atenção e podem estar associados a comportamentos ligados ao suicídio são2:

  • Agressividade e irritabilidade constantes;
  • Desinteresse em atividades comuns à pessoa;
  • Mudanças nos horários de sono;
  • Mudanças na aparência;
  • Uso de roupas de frio com frequência, inclusive em dias quentes, para esconder marcas de automutilação;   
  • Isolamento e falta de contato constante.

 

Alexandrina faz um alerta para familiares e amigos que se sentem responsáveis por não ajudarem o suficiente a ponto de evitar um caso de suicídio. Para ela, é preciso ter em mente que o ato é intencional e que o parente não deve carregar a culpa. Por isso, a importância de uma rede de apoio para amparar quem está passando por algum transtorno.

 

Referências:

 

1- Alice B. et al. Comportamento suicida na pandemia por Covid-19: Panorama geral. Research, Society and Development, 2021. Disponível em https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/15923. Acesso em 28/07/2021

 

2- Prevenção ao Suicídio - Público em Geral. ABRATA, 2020. Disponível em https://www.abrata.org.br/publicacoes-blog/materiais-informativos. Acesso em 28/07/2021


PP-PCU-BRA-0738 - agosto/2021