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A genética pode influenciar o colesterol alto?

Você com certeza já foi ao médico e ouviu a pergunta: "alguma doença na família?", mas já se perguntou por que essa pergunta e esse histórico são tão importantes para a sua saúde? Será que a genética pode influenciar as doenças que desenvolvemos, como o colesterol alto?

É mais comum que o colesterol alto seja causado por fatores como obesidade, tabagismo, sedentarismo, maus hábitos alimentares e diabetes, por exemplo. Porém, além desses fatores, a genética também pode definir os níveis de colesterol no organismo de um indivíduo, mesmo naqueles com hábitos saudáveis. 1,2

Quando se fala em colesterol alto por herança genética, estamos tratando sobre a hipercolesterolemia familiar. Nome difícil, não é!? Mas, não se assuste, é apenas a nomenclatura científica para colesterol alto decorrente de fatores hereditários.

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Explicando melhor, a hipercolesterolemia familiar é uma doença genética autossômica dominante - ou seja, pelo menos um dos dois genes herdados (um de cada genitor) possui uma mutação - o que altera o processo de remoção do colesterol do sangue. ³

A hipercolesterolemia afeta várias gerações da mesma família com nível alto de gordura no sangue e com antecedentes de problemas cardiovasculares. Dessa forma, o componente genético faz com que uma em cada duas pessoas nas famílias afetadas apresentem a doença crônica rara. ³

Pelo que se sabe, a causa mais frequente da hipercolesterolemia familiar é uma mutação do gene dos receptores de lipoproteínas de baixa densidade. O gene LDLR (low density lipoprotein receptor) ajuda o corpo humano a criar uma proteína chamada receptor de lipoproteínas de baixa densidade.4

Como há ausência ou mau funcionamento dos receptores de LDL5, chamado de colesterol ruim, o portador da hipercolesterolemia familiar pode estar submetido a alguns riscos. Você sabe quais são eles? É sobre isso que vamos falar agora mesmo.

 

Quais são os riscos que a hipercolesterolemia familiar pode trazer?

 

A hipercolesterolemia interfere na absorção de colesterol pelo fígado. Isso faz com que o portador dessa doença desenvolva, muito cedo, aterosclerose (artérias entupidas), o que pode causar outros sérios problemas de saúde como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). 6,5

Ainda é importante dizer que a hipercolesterolemia familiar é dividida em dois tipos: heterozigótica e homozigótica.

No primeiro caso, a doença é mais branda e apenas um dos pais passou o gene para o filho. Na homozigótica, tanto o pai como a mãe transferiram um gene danoso para o filho, portanto, os níveis de colesterol são bem mais elevados e as manifestações da doença são sentidas mais cedo. 5

Se você recebeu um diagnóstico de hipercolesterolemia familiar e está um pouco preocupado, calma! Você pode tomar algumas medidas importantes para o tratamento da sua condição. Quer saber mais sobre isso? Continue a leitura.

 

Tenho colesterol alto por genética, o que eu faço?

 

Uma vez que você foi diagnosticado com hipercolesterolemia familiar, a meta principal é diminuir os níveis sanguíneos de colesterol, a fim de reduzir os riscos de infarto ou de AVC, por exemplo.4   

Você pode reduzir os níveis de colesterol por meio de uma dieta saudável contínua, em que gorduras não representem mais do que 30% da ingestão calórica. Além disso, é interessante que você pratique exercícios físicos regularmente. Tudo isso, sempre com orientação profissional, ok? Caso seja necessário, seu médico poderá indicar, ainda, o tratamento com fármacos (estatinas são os mais comuns). 4

Independente do diagnóstico, cuide da sua saúde! Tenha hábitos saudáveis, siga as orientações do seu médico e não desista do seu tratamento. Cuidando da sua saúde todos os dias, você pode reduzir os riscos e ter mais qualidade de vida.

 

Material para todos os públicos.
LIPI-2022-0903 - maio/2022

Referências

[1] PROGRAMA SE CUIDA. Cardio | Colesterol Alto. Publicação online em Fevereiro/2021. Disponível em: <https://programasecuida.com.br/linha-de-cuidado/cardio/colesterol> Acesso em: 31 mar. 2022.

[2] MINISTÉRIO DA SAÚDE. 08/8 - Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/08-8-dia-nacional-de-prevencao-e-controle-do-colesterol/> Acesso em: 31 mar. 2022.

[3] SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Nova diretriz altera parâmetros de risco cardiovascular de doença rara que provoca colesterol alto. Publicação online em Fevereiro/2021. Disponível em: <https://www.portal.cardiol.br/post/nova-diretriz-altera-par%C3%A2metros-de-risco-cardiovascular-de-doen%C3%A7a-rara-que-provoca-colesterol-alto> Acesso em: 31 mar. 2022.

[4] ASSOCIAÇÃO HIPERCOLESTEROLEMIA FAMILIAR. A genética da Hipercolesterolemia Familiar e como ela funciona. Publicação online em Julho/2017. Disponível em: <https://www.ahfcolesterol.org/prevencao-e-tratamento/genetica-da-hipercolesterolemia-familiar-e-como-ela-funciona/> Acesso em: 31 mar. 2022.

[5] AGÊNCIA UNIVERSITÁRIA DE NOTÍCIAS DA USP. A causa genética por trás do colesterol elevado. Publicação online em Fevereiro/2021. Disponível em: <http://aun.webhostusp.sti.usp.br/index.php/2021/02/12/a-causa-genetica-por-tras-do-colesterol-elevado/> Acesso em: 31 mar. 2022.

[6] ALVES, Ana Catarina dos Santos. Base genética da Hipercolesterolemia Familiar. Doutoramento em Bioquímica - Especialidade em Genética Molecular. Universidade de Lisboa, 2014. Disponível em: <https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/15650/1/ulsd069365_td_Ana_Alves.pdf> Acesso em: 31 mar. 2022.